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2009-01-04 Nordeste 2009

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Objetivo:
  • Percorrer o litoral nordestino
Previsão para partida:
  • 03 ou 04 de janeiro de 2009
Duração estimada da viagem:
  • 27 dias.
Pontos chaves:
  • Brasília;
  • Lençóis Maranhenses;
  • Jericoacoara
  • Fortaleza
  • Natal
  • Recife
  • Porto de Galinhas
  • Maragogi
  • Salvador
  • Porto Seguro.
Equipamento:
  • Moto NX4Falcon com pneus novos, revisada, bauleto e alforge.
  • Roupas underwear(segunda pele): calça, blusa, luva, balaclava.
  • Roupas de motociclismo: jaqueta, calça, luva e bota.
Distância a percorrer:
  • entre 6 e 7 mil km
Média de gastos diários:
  • Só Deus sabe.
Documentação:
  • carteira de alberguista;
  • pessoal e da moto;
Trajeto:
  • Dia 01 - Juiz de Fora(MG) - Brasília(DF) (mapa | roteiro)
  • Dia 02 - Brasília
  • Dia 03 - Brasília(DF) - Paraíso do Tocantins(TO) (mapa | roteiro)
  • Dia 04 - Paraíso do Tocantins(TO) - Imperatriz(MA) (mapa | roteiro)
  • Dia 05 - Imperatriz(MA) - São Luís(MA) (mapa | roteiro)
  • Dia 06 - Lençóis Maranhenses
  • Dia 07 - São Luís(MA) - Jijoca de Jericoacara(CE) (mapa | roteiro)
  • Dia 08 - Jericoacoara
  • Dia 09 - Jijoca de Jericoacara(CE) - Fortaleza(CE) (mapa | roteiro)
  • Dia 10 - Fortaleza
  • Dia 11 - Fortaleza(CE) - Natal(RN) (mapa | roteiro)
  • Dia 12 - Natal
  • Dia 13 - Natal(RN) - Recife(PE) (mapa | roteiro)
  • Dia 14 - Recife
  • Dia 15 - Recife(PE) - Porto de Galinhas(PE) (mapa | roteiro)
  • Dia 16 - Porto de Galinhas
  • Dia 17 - Porto de Galinhas(PE) - Maragogi(AL) (mapa | roteiro)
  • Dia 18 - Maragogi
  • Dia 19 - Maragogi(AL) - Maceio(AL) (mapa | roteiro)
  • Dia 20 - Maceio
  • Dia 21 - Maceio(AL) - Salvador(BA) (mapa | roteiro)
  • Dia 22 - Salvador
  • Dia 23 - Salvador(BA) - Morro de São Paulo(BA) (mapa | roteiro)
  • Dia 24 - Morro de São Paulo
  • Dia 25 - Morro de São Paulo(BA) - Porto Seguro(BA) (mapa | roteiro)
  • Dia 26 - Porto Seguro
  • Dia 27 - Porto Seguro(BA) - Juiz de Fora(MG) (mapa | roteiro)

A viagem para o nordeste começou na P-52, com a expectativa de desembarcar no dia 02 normalmente, pois as condições metereológicas não eram as mais propícias.

Deu tudo certo, o vôo chegou pontualmente e consegui desembarcar. Cheguei as 16h na rodoviária de Campos e esperei até as 19:30h pelo ônibus da Rio Doce com destino a JF, onde estava a motocicleta. O busão só chegou às 20:30h. Outro detalhe é que a pista entre Campos e Itaperuna, apresenta um problema, o qual está gerando um aumento do percurso em aproximadamente 80 km. Chego em jf às 2 horas da madruga.

Um pouco sem sono pois já havia dormido a viagem quase toda, comecei a separar o material que iria levar para o nordeste. Montei a barraca nova, uma Bivak I da Trilhas & Rumos para testar e em seguida fui dormir.

Sábado, dia 03, levantei cedo para comprar coisas que ainda faltavam, bem como, rever os amigos antes de ficar mais de um mês fora de casa.

Almocei no pesque pague com alguns amigos, fui ao shopping, voltei para casa, embalei tudo e ainda fui a uma disco, roda de samba, muito bom por sinal. Cheguei em casa 3 da madruga do dia 04, terminei de arrumar as malas, dormi e acordei às 6h. Vesti as roupas apropriadas, coloquei alforges e bauleto na motocicleta e parti rumo a Guarapari. Saída efetiva, 7:36

No meio do caminho, Itaperuna, resolvo parar para tomar uma água e assim que entro na lanchonete, me deparo com minha primeira namorada. Fiquei surpreso em vê-la, bem como seus pais, pois havia muito tempo que não os encontrava. Eles estavam voltando de Guarapari. Nem se tivéssemos combinado acho que seria tão preciso o encontro. Trocamos palavras por alguns minutos e dei continuidade a viagem. Aproveito para deixar um grande abraço pra Thaila e seus pais, muito bom revê-los.

Cheguei em Guarapa as 14:33. Demorei, pois descobri que existia uma alagamento entre Bom Jesus do Itabapoana e a BR101, o que me fez voltar até próximo de Campos para pegar a bendita 101. Como era domingo e final de feriado prolongado a BR estava com trânsito intenso e motoristas maníacos fazendo ultrapassagens perigosas, resolvi entrar para Marataízes e ir até Guarapari pela Rodovia do Sol, curtindo a viagem a beira-mar. Passei dentro de várias cidades: Marataízes, Itaoca, Itaipava, Piuma, Anchieta, Meaípe e por fim Guarapa

Chegando lá, fui ao encontro da Fernanda Bitencourt, a fim de fazer uma entrega de uma encomenda(Frete Interestadual é mais caro, hein), bem como esperar os dois companheiro de viagem chegarem: o Abílio do Rio de Janeiro e o Luciano de João Pessoa que estava em Florianópolis e fazia a viagem de retorno para casa.

Como eles atrasaram muito, resolvermos passar a noite em Guarapari mesmo. A idéia inicial era ir até Itaúnas. (1ª mudança no roteiro)

Ficamos na pousada Estrela do Mar(R$55,00/pessoa) e a noite fomos comer no Bar La Viola, onde tinha música ao vivo, sertanejo/mpb. A Fê ainda apareceu para dar o ar da graça e se despedir.

Já no dia 05 saímos às 10:30 de Guarapari, rumo à Prado, BA(2ª mudança no roteiro). Passamos por Vila Velha, Vitória, Linhares e São Mateus, dentre as principais cidades, chegando em Prado as 17 horas, após pegar chuva quase todo o percurso. A idéia inicial era ir para Arraial D'Ajuda, mas por sugestão do Luciano passamos em Prado, para de lá seguir para Cumuruxatiba.

A entrada da Bahia é feia, não tem nenhuma placa de boas vindas. Só fiquei sabendo que estávamos na Bahia porque vi a numeração da marcação de distância mudar de 1 para 900 e pouco.

Já em Prado, nos hospedamos na pousada Casa Branca(R$25,00/pessoa), indicada pelo frentista do posto. Saimos para jantar, conhecer a cidade... comemos um peixe, muito bom por sinal.

Durante a noite o Luciano teve um aumento da pressão arterial e tivemos que procurar um hospital. As motos estavam trancadas na garagem e tivemos que sair a pé. Quando chegamos numa pizzaria próxima a rodoviária, pedimos informações aos funcionários e seus amigos que ali estavam bebendo um cervejinha após o expediente. Vendo a situação que estávamos, um deles se disponibilizou a levar o Luciano em sua moto até o hospital que ficava a pelo menos 1 km de distância. Voltei a pousada e consegui abrir a garagem, pegar minha moto e ir ao hospital. Chegando lá, tudo estava fechando, meio sem entender voltei a pousada e o Luciano já estava lá. Já tinha consultado e tinha sido medicado a fim de controlar a pressão.

No dia 06, fomos conhecer uma belíssima praia da região chamada Cumuruxatiba, a qual dista 33 km de Prado por uma estrada de terra batida. Gastamos aproximadamente 40 minutos para realizar o percurso, pois dava para imprimir velocidades de até 70 km/h em alguns trechos. Outros, 5 km/h. Praia bonita, fotos registradas, hora de voltar para seguir para Arraial D'Ajuda.

Voltamos à pousada, tomamos banho e seguimos. Eu e o Abílio não estávamos nos sentindo bem. Provavelmente foi algo que comemos na janta(o peixe) ou no café da manhã. Eu suava muito, estava estranho mesmo, mas seguimos... após 50 km rodados chegamos em Itamaraju, onde paramos para tomar uma água. Eu ainda estava mal, mas o vento na cara ajudou a melhorar um pouco. O Abílio chamou o raul no meio da praça e em seguida começou a se sentir bem. Continuamos a viagem e chegamos a Arraial.

Hora de procurar pousada ou camping. Logo na entrada um garoto nos fez uma proposta de uma pousada por 30 reais por pessoa. Fomos até o local indicado e chegando lá a dona falou que era 40. Choramos, choramos e o valor ficou em 33 reais. Já era próximo as 18 horas. Fui para a piscina, refrescar um pouco e em seguida fomos conhecer os pontos famosos do lugarejo. Muito cheio, muita gente bonita, excelentes bares. Lugar totalmente convidativo a ficar pelo menos uma semana, mas infelizmente ou felizmente, temos que seguir viagem em breve. Jantamos em um restaurante, cuja dona é de Juiz de Fora(mundo pequeno I). Passeamos um pouco, comprei um cinto, pois a calça estava caindo. Fomos dormir cedo, por volta de 23 horas. Na madrugada do dia 07, acordo eu, as 3 da madrugada com o estômago todo revirado. Não havia água para tomar um estomazil. Então fiquei vagando, andando pela área externa, tomando um ar, para ver se melhorava. Meu organismo reagiu, fazendo com que eu chamasse o raul também. Logo em seguida, melhorei. Tomei um banho e dormi.

O dia amanheceu chuvoso, então aproveitamos para dormir um pouco mais, tomar café e programar o que fazer, por onde passar no restante do trajeto.

As 12h com um pouco de chuva, resolvemos ir para Porto Seguro. Pegamos as motos e fomos em direção as balsas. Cinco reais e oitenta centavos a travessia de 3 minutos no máximo. De início fomos conhecer o centro histórico, registrar algumas fotos. Em seguida fomos para Santa Cruz de Cabrália ver alguns pontos históricos, como o local onde foi celebrada a primeira missa pelos colonizadores.

Na volta de Cabrália paramos no Barramares, um dos famosos quiosques da região ao lado do Tôa Tôa e Axé Moi.

Passamos a tarde no Barramares, com direito a estacionamento vip, dentro das imediações do estabelecimento. Ao fim da tarde, voltamos para Arraial, onde fomos curtir a badalada noite local.

Percebi uma diferença muito grande no atendimento nos bares e até mesmo das garotas distribuidoras de flayers em relação as de minas. São todas extremamente atenciosas e carismáticas. Hora de dormir. Amanhã vamos visitar uma das 10 praias mais bonitas do Brasil, a Praia do Espelho.

08-01 – Levantamos cedo, tomamos café e partimos rumo a praia do espelho. Pegamos a estrada para a praia do Taípe, pois ela leva a trancoso e de lá seguimos pela estrada de caraíva que leva até a praia do espelho. Lugar fascinante. Foram 5km de asfalto e 40 de terra para chegar. Quando passávamos por Trancoso um moto-táxi filho de uma (beep) entrou na minha frente e freiou do nada. Juntei nos freios também, mas como o local era paralelepípedo com areia, a roda da frente derrapou e chão(1ª queda). Como estávamos indo para praia, eu estava apenas de bermuda. Moral da história, ralei a canela na pedaleira. A moto tombou mas não aconteceu nada demais. Continuamos, chegamos à tão famosa Praia do Espelho.

Durante a manhã a praia estava vazia, parecia ser nossa. A tarde, quando voltamos, muitos, mas muitos carros passaram por nós, o que leva a crer que a praia ficou muito cheia. Realmente linda. Cena de cartão postal.

De volta a pousada, tomamos banho, almoçamos em um self-service no centro de Arraial e seguimos para Ilhéus(3ª mudança no trajeto).

Chegamos em Ilhéus, aproximadamente as 18h. Fomo logo para orla, sentamos em um quiosque e logo pedi um suco da fruta da casa, cacau. Os companheiros já foram logo para a cervejinha e para o acarajé. A orla possui vários bares com música ao vivo, normalmente mpb. Bonita orla, muito bonita.

Depois de um descanso merecido, tomando umas e outras, fomos a uma qual o Luciano já tinha passado para ver o preço: Encontro das Águas. Como fica próximo a foz de um rio no mar e tinha feito muito calor, o cheiro do ar externo era um tanto quanto desconfortável. Segundo o recepcionista noturno, um senhor muito simpático e simples, o cheiro era proveniente da “Baronesa que escrudece e tem que esperar ela secar pra enterrar com o trator”. Fiquei pensando no que ele falou, por muito tempo e não conseguia entender. Fui para o quarto, tomei banho e quando desci, perguntei novamente sobre o cheiro. Aí ele repetiu: _ O cheiro é da baronesa que escrudece!
Ainda sem entender, perguntei: _ Como assim?
Ele respondeu: _ Ontem choveu, aí a baronesa desceu pelo rio, é uma planta, aí ela para aqui e escrudece, aí tem que esperar secar, pra vir o trator e enterrar pra não ficar este cheiro.

Após refletir sobre o que ele disse, compreendi que há uma planta que desce pelo rio, vinda de outras regiões e a mesma para as margens, próximo a foz, apodrecendo e gerando o odor. Situação compreendida, fomos conhecer um pouco de Ilhéus. A visão que eu tinha sobre a cidade era a que formei quando assisti a novela Renascer, onde só havia plantações de cacau. Ledo engano. A cidade possui prédios e igrejas antigos e bonitos. Paramos em um bar próximo a igreja, que parece ser a principal, o famoso bar do Vesúvio do romance Gabriela Cravo e Canela de Jorge Amado.(Da cena da Gabriela em cima do telhado você lembra né?!). Coitado é do Nacib.

Tomamos uma torre de chopp, comemos um filé ao molho vesúvio e alguns pães árabes. O Abílio e o Luciano encararam o caldo de sururu.

De volta ao hotel, dormir e seguir viagem no dia seguinte. Levantamos cedo, tomamos café e pé na estrada... rumo a Itacaré. A estrada era a BA001, perfeita, cercado por mar, coqueiros e plantações de cacau. Entre estas duas cidades, há um mirante que remente a uma paisagem de características ímpares. Fotos registrados, tomar uma água de coco e seguir... o Destino era Salvador.

Pegamos a balsa, entre Itacaré e estrada que leva a Camamu ou Barra Grande. Na travessia, um policial a paisana com sua CG e um cara muito loco numa caminhonete velhinha, começa a conversar conosco e nos convencem a irmos à Barra Grande.(4ª mudança no trajeto). Assim que atravessamos seguimos por 9 km em estrada de areia fofa, tipo de praia, bem fina. Uma merda... em um determinado momento a roda da frente atolou na areia. Acelerei e chão... A moto tombou novamente, mas nada aconteceu comigo nem com ela. Após estes 9 km chegamos a uma outra estrada de terra batida. Lá o Luciano decidiu ir para a esquerda, onde andaria mais 5 km e pegaria um asfalto perfeito para ir para Camamu. Seguindo a opinião dele, do policial e do doidão, fomos para barra grande. Foram mais 31 km em estrada de terra batida, onde dava para desempenhar até 80 km/h. Entramos em mais um trevo e pegamos mais km de estrada de areia novamente, o que fez minha roda atolar mais uma vez, mais uma acelerada para tentar sair e mais uma vez, chão. Comigo não aconteceu nada, pois na verdade nas três a moto estava praticamente parada já, mas ela caiu sobre meu pé. Mas a bota protegeu da forma correta. Já a moto, trincou a bolha. Nada demais, apenas um barulhinho extra devido a vibração gerada pelo motor. Seguimos e chegamos em Barra Grande que e distrito de Cairu, fazendo parte do complexo chamado Península de Cairu. A entrada da cidade é loca demais... parece uma pista de moto-cross, com vários morrinhos subindo e descendo, como uma senóide, com intervalos pequenos entre um e outro, coisa de dois metros. Chegando lá, apenas eu e Abílio, procuramos logo um camping. Negociamos e fechamos a 10 reais por pessoa. Eu só tinha 40 reais no bolso e o Abílio 50. Moral da história, me sobraram 30 reais. Pouco depois descobrimos que Barra Grande não tinha caixa eletrônico. Tudo bem, os 30 reais daria para pagar a travessia das motos por barco para Camamu e comeríamos com cartão. Falou luz na cidade, não estava passando cartão em lugar nenhum. Fome, muita fome. Vamos gastar o dinheiro. PF, 12 reais. Me sobraram 18 reais. Excelente, não dava pra pagar a travessia da moto e minha, 15 e 6 reais respectivamente. Fomos mergulhar, curtir a praia. Quem sabe a luz num voltava... A noite a luz voltou. Comemos com o usufruto do cartão, fomos a lan. Gastei mais 3 reais. Sobraram 15. A “cidade” estava um tanto quanto parado. No forró, só tinha a banda tocando para os garçons. A banda era muito boa... mandava muito, mas não sei por que, não havia movimento. Sem muito o que fazer, fomos dormir para curtir o dia seguinte. Quando levantamos, cadê a energia elétrica? Foi-se novamente. Ou seja, estávamos quase sem grana. Nem podíamos tentar trocar dinheiro de cartão com tarifa de 20% por dinheiro. O abílio ainda tinha um trocado que dava pra inteirar para pagar a passagem dele e a minha para Camamu, mas quando chegamos no porto vimos o qual difícil era embarcar as motos. Tinha que descer uma escada estreita, sem guarda-corpo que dava direto ao mar. Para fazer isto iríamos precisar da ajuda do ajudantes do porto. Porém os mesmos cobravam 10 reais para fazer o serviço. Sem dinheiro, revolvemos voltar 45 km aproximadamente de terra para pegar o asfalto para chegar em Camamu. Com sede e muito calor, comprei 3 águas por 5 reais. Me sobraram 10. A moto estava sem gasolina, então coloquei os últimos 10 reais de combustível ao preço de 3,30 o litro(Não aceitavam cartão). 3 litros. O que me dava uma autonomia de uns 75 km andando a 80km/h. Porém andávamos a 5km/h na areia fofa, o que aumentou absurdamente o consumo. Na estrada já ruim, começa a chover... forte. Até que veio em boa hora, pois deixou a areia mais compacta. Chegamos a estrada de terra mais batida e lama, muita lama... Aceleramos, entre 50 e 80/h. A moto já andava só com o cheiro de gasolina... e o posto que ficava no meio do caminho não chegava rezando. Com muito sufoco, o danado apareceu. Aí vinha a questão... será que tinha energia lá? Será que aceitavam cartão? Deu tudo certo, tinham gerador próprio e abasteci a moto e pude pagar com cartão.(Deus me ajuda mais uma vez...) Quando termino de pagar e volto para a moto, cadê o Abílio? Estava no banheiro chamando o raul novamente. Ficamos umas 2 horas parados ali no posto até que ele melhorasse para seguirmos viagem.

Seguimos, mais lama, mais buracos, mais estrada loca. Chegamos ao asfalto. Hora de acelerar... estrada perfeita, sem movimento nenhum. 130, 140km/h. Chegamos em Camamu. Aqui vem o macete. O negócio não é ir para Barra Grande de veículo. É ir para Camamu, guardar em um estacionamento(R$10 a diária) e ir de barco(R$6,00) para Barra Grande. Desta forma evita-se todo o estress da falta de grana e estradas ruins.

De Camamu seguimos para Valença, onde iríamos para Morro de São Paulo. O tempo fechou em Valença, então decidimos ir para Salvador e passar no Morro na volta. Aceleramos de novo, ainda sem grana, e chegamos no Ferry Boat de Itaparica para Salvador. Descobrimos o preço R$11 reais e voltamos uns 2 km para achar um caixa eletrônico. Sorte novamente, um supermercado possuia um banco 24 horas. Dinheiro no bolso, seguimos nós para Salvador. Motos podem furar fila. Isto ajuda muito... Mais ou menos 1 hora de travessia pela Bahia de Todos os Santos. Enquanto isto ligamos para o Luciano que já estava em Salvador(é natural de lá), para que nos guiasse até a casa do Dalgas, companheiro de trabalho. 31 km dentro de Salvador e chegamos na casa do Dalgas, 20 horas. Por lá nos instalamos. Despedimos do Luciano que no outro dia seguiria para sua atual residência em João Pessoa. Lanchamos e fomos dormir. No dia seguinte, deixamos as motos completamente cheias de barro na garagem e fomos conhecer Salvador de carro com o Dalgas sendo nosso guia turístico. Fomos nos principais pontos da cidade. Igreja do Bonfim, vários fortes, Farol da Barra, outros faróis, Pelourinho, Elevador Lacerda, Mercado Modelo etc... A noite saimos para conhecer um pouco da noite de Salvador, comer um acarajé, o qual não sou fã, e um provar e aprovar o bijú de tapioca.

No dia seguinte, despachei os alforges com muitas coisas que não tinha usado até então pelos correios, direto pra minha casa. Fiquei só com o essencial numa mochila e no bauleto. Aproveitamos o restante do dia para levar as roupas para lavanderia e conhecer a Praia do Forte, com o espetacular projeto Tamar. Lugar muito bonito, fotos registradas. Voltamos a Salvador. No dia seguinte, levantamos tarde, tomamos café da manhã e fomos trocar o óleo das motos. Saímos após o almoço com destino a Valença, de onde iríamos para Morro de São Paulo(última mudança do trajeto). Ainda em Salvador, o Abílio com muitas saudades da namorada, resolveu voltar mais cedo para casa. Como não restavam muitos dias mais de folga, com todas as mudanças de trajeto que tínhamos feito, resolvi ir apenas a mais um destino: o Morro de SP, deixando o restante do nordeste para uma outra viagem. Fomos nós novamente pela estrada a fora. Ferry Boat demorou a sair para voltarmos a Itaparica e em seguida Valença. Chegamos em Valença, na Ponta do Curral, ponto mais próximo ao Morro ,depois da saída do último barco. Sem muita opção, íamos dormir no estacionamento onde as motos ficariam, pois não entra veículo em Morro. Com fome, seguimos até um distrito chamado Guaibim, onde poderíamos comer algo. Chegando lá, fomos a uma lan house onde o dono, Matheus nos fez algumas perguntas sobre a viagem. Conversamos um pouco e falamos que íamos dormir no estacionamento e tal. Ele comovido, kkkk, ofereceu a garagem da casa dele para acamparmos. Sem pensar, aceitamos, kkkk, melhor que o estacionamento. Após fechar a lan, fomos para a garagem, montamos barraca e fomos para a rua, lanchar e curtir a noite de Guaibim, que por sinal é bem agitada, com sua população local e um renca de turistas de Brasília. Altas horas da madruga, fomos dormir para levantar cedo para ir para a Ponta do Curral pegar o barco que levava ao Morro.

Para quem não conhece, Morro de São Paulo é uma pequena parte da Ilha de Tinharé, que por sua vez pertence à Cairu. Lugar é simplesmente fascinante.

As 7 da manhã já estávamos no atracadouro, onde pegamos o barco para morro. Aproximadamente 40 minutos de travessia por águas tranquilas. Chegando em morro, fomos direto ao camping da dona América. Montamos barraca e saímos logo para um mergulho. Tarde inteira mergulhando, fomos almoçar e descansar. Uma característica de morro é que vc entra 1 km pra dentro d'agua e ela ainda bate na cintura. Isto quando não tem bancos de areia e a água bate na canela. Sob um sol escaldante, após o almoço, resolvemos dar mais um passeio pela praia, mais mergulho. A noite tomamos banho, quando nos preparávamos para sair, começou a chover. Solução: dormir. Estávamos cansados.

No segundo dia em Morro, saímos cedo para mergulhar. Muita água de coco para hidratar, alugamos um caiaque e fomos ate a Ilha da Saudade mergulhar mais. Cenário show de bola. Várias piscinas naturais. Fim de tarde, nada pra fazer, fomos passear no farol. Ponto mais alto. No caminho passamos próximo a um bar, onde toca música ao vivo, mpb e tem-se uma linda visão do pôr-do-sol. Sem pensar, entramos. Ainda vazio, pois eram 16 horas. O movimento começar a partir deste horário. Ao ar livre, todo arborizado com várias esteiras pelo chão, com almofadas e várias redes entre as árvores, nos esbaldamos com a paisagem e com caipirinhas. Quando começou a música, não deu outra, dormi ali mesmo, kkkk tranquilidade total... ritmo de baiano. Saímos de lá, comi um bijú de tapioca e fui dormir, tim tim, timtimdo nada...

No outro dia levantamos cedo e estávamos vendo mapas, quando apareceram dois caras dando dicas pra gente. O Rafael e o Matheus. Os dois são tranquilos(baianos legítimos) e nos deram umas dicas, de onde ir pela Bahia e onde mergulhar no morro. A tarde, logo após o almoço vi que chegou uma menina sozinha no camping, que iria ficar na verdade na parte pousada. Ela estava sozinha, era gringa e parecia meio deslocada. Então a perguntei se estava realmente sozinha e em seguida a convidamos para ir conosco para ir ver o pôr-do-sol. Seu nome é Victoria, é austríaca e está a 3 meses viajando pela América Latina. Ela se amarrou, pois realmente a parada é muito show.

Ahh, vale uma observação. Cerca de 70% dos turistas são argentinos, 20% brasileiros e 10% de outros países.

Todas as argentinas são marrentas, metidas e esnobes. Digo, quase todas. A Madalena que trabalha no bar supracitado, Toca do Morcego - Chill out bar era uma das excessões. Ela é tipo uma supervisora da carta de vinhos, na qual ela é especialista, afinal a cidade dela é a cidade do vinho, Mendoza. Madalena está a 1 mês e meio morando no Morro. Outra pessoa bacana da Toca do Morcego é a Paula, que era a garçonete que nos atendia. Ela é de Porto Alegre e está no Morro a 9 meses. A cada temporada ela vai descendo um pouco o litoral. Nos disse que começou lá em cima no nordeste.

Outras meninas legais que conheci, foram as paulistas: Mariana, Daniela e Milena. Muito simpáticas, também já estavam cansadas dos argentinos. Devido a falha na comunicação, acabou que não nos encontramos a noite na praia. Esqueci o nome da pousada que elas estavam e o único telefone que a Mariana me deu, era de um celular que tinha ficando em Sampa.(Viu Mariana, mineiros não são como os paulistas, que pedem telefone e no outro dia nem lembram o nome).

No dia seguinte o Abílio foi embora e eu fiquei mais um dia no Morro. A noite fomos pra praia, eu, Rafael e Matheus. Não tinha nada, só um movimento em um quiosque de pastel. Quando chegamos próximo, o negócio estava bombando. Bombando para os argentinos, pois estava tocando Cúmbia e Reggaeton, estilos que são muito, mas muito pior que o Arrocha. Pra quem não sabe o arrocha é um estilo que surgiu em salvador... com seus passos básicos, o 180 180 360 e o dáblio dáblio ó 1. acho que é este o nome do ultimo mesmo. No dia seguinte fui mergulhar com o Matheus. A tarde fomos mais uma vez para o point, Toca do Morcego, onde conhecemos a Tamara de Sampa, a Erika de Sampa e a Silvia de Salvador. Noite de sábado, tinha festa na badalada Pulsar. Fomos todos pra lá. Ambiente muito bom. Um tanto perigoso para bêbados, pois tem uma escada com curvas para um lado e outro de pelo menos uns 50 degraus...

Saímos de lá com o sol nascedo. Imagem bela. Dormi um pouco. Acordei as 10 da manhã, desmontei barraca e pé na tábua. Saí de do morro a tarde. Andei uns 200 km. Dormi em uma pousada na estrada e no dia seguinte andei 1250 km até em casa.

Fim da viagem... cansei de escrever e vocês provavelmente de lerem...

Total rodado: 3774 km
Total gasto: 1855 reais.

Dá pra fazer a mesma viagem com 2/3 do valor. Economizando principalmente em combustível.

Vale lembrar que na volta, rodando a 140km/hora direto, a moto fez 18 por litro.

Em suma, esta foi a melhor viagem que fiz estando solteiro. Vale lembrar que qualquer casal que fizer uma viagem assim, volta mais apaixonado. Todos lugares são charmosos e românticos. Simplesmente espetaculares.

Namorando os destaques foram vários carnavais e circuito das águas.

Locais visitados: 
Transporte utilizado: 

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YO TAMBIEN QUIERO IR!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
mafesita